Motos do Brasil vão acabar? Fábricas param diante do Coronavírus

Representando mais de 94% de todo volume do país, principais fábricas de motos anunciam paralisação na produção de motos diante dos riscos apresentados pelo contágio do novo Coronavirus. Honda, Yamaha e BMW suspendem atividades em Manaus (AM).

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O Brasil parou! Principais fábricas de motos do país anunciam paralisação na produção de motos, pelo menos até a metade de abril, diante dos riscos apresentados pelo contágio do novo Coronavirus.

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O anúncio veio através de comunicado enviado pelas assessorias de imprensa de Honda Motos do Brasil, Yamaha Brasil e BMW Motorrad Brasil. Juntas, as três marcas detêm 94,1% do volume de motos do país.

Mas o que isso quer dizer? As motos novas irão acabar no país? Bom, fomos entender os comunicados e buscar respostas direto com as fabricantes, vem com a gente…

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Honda anuncia paralisação da fábrica em Manaus

Em seu comunicado a maior fabricante de motos do Brasil, com mais de 79% do mercado, anuncia a suspensão da produção de motocicletas em sua unidade fabril, localizada em Manaus (AM), a partir de 27 de março devido aos impactos da pandemia do Covid-19.

A Honda informa que os colaboradores diretamente envolvidos no processo produtivo entrarão em férias coletivas e que está direcionando o maior número possível do pessoal da área administrativa para férias coletivas ou home-office.

Em uma decisão que prioriza a segurança e saúde das pessoas, o retorno da produção está previsto para 13 de abril, podendo ser ampliado para 20 de abril caso a situação da pandemia ainda não esteja controlada.

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Vai faltar moto Honda no Brasil?

Fizemos duas perguntas para a Honda sobre como a produção e entrega de motos no Brasil poderá ser afetada após a pandemia, veja as respostas:

MR: Se for mantida somente essa paralisação na fábrica, sem a necessidade de prolongação, isso afetará o volume de produção anual ou essas “férias coletivas” estão sendo apenas antecipadas e no final do ano a produção não irá parar, compensando a paralisação atual?

Honda: Trata-se de um recesso adicional em relação às férias já previstas no plano anual. Ainda é cedo para afirmar se haverá impacto no volume projetado para o ano, mas a tendência é que sim, caso a situação se prolongue.

MR: A Honda Brasil prevê algum atraso na entrega de motos para os clientes que já compraram suas motocicletas e estão aguardando a entrega nas próximas semanas?

Honda: As entregas respeitarão antes de mais nada, as leis e decretos definidos pelo governo, e serão agendadas com cada cliente à medida que a concessionária possa operar.

A Moto Honda seguirá acompanhando o cenário, bem como as orientações governamentais, unindo-se aos esforços coletivos para conter os avanços do Covid-19. Dessa forma, contribui para que as condições de vida e da indústria de motocicletas, que vem registrando crescimento e investimentos, retornem com êxito à normalidade no menor tempo possível.

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O fato é que em 2019 a Honda fabricou mais de 909 mil motocicletas durante todo ano, o equivalente a pouco mais de 75 mil unidades por mês em média.

Caso a paralisação ocorra conforme o planejado, considerando apenas os dias úteis de 30 de março a 13 de abril, a fábrica deixará de produzir cerca de 37 mil motos. O equivalente a apenas 4,2% da produção anual.

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Yamaha suspende fabricação de motos no Brasil

A segunda maior fabricante do país, Yamaha Motor do Brasil, também comunica que as suas atividades fabris estão suspensas pelo período de 31 de março até 19 de abril por conta da pandemia do Covid-19.

A marca informa que a Yamaha Motor do Brasil, e as demais empresas que fazem parte do Grupo Yamaha, adotaram nas últimas semanas algumas medidas para garantir o bem-estar e saúde dos colaboradores e de seus familiares.

Entre as medidas estão o trabalho remoto para alguns colaboradores, reuniões internas e externas através de videoconferência, viagens pelo país e exterior suspensas e eventos e ações internas e externas canceladas. As atividades devem ser normalizadas no dia 20 de abril.

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Vai faltar moto Yamaha no Brasil?

Questionamos a assessoria de imprensa da Yamaha Motor do Brasil sobre os impactos que a paralisação poderá causar na fabricação de motos no país e a Yamaha informou que a situação ainda está sendo analisada e não respondeu diretamente as duas perguntas.

No momento a preocupação da marca é com a saúde de todos os seus colaboradores e na ajuda da contenção do vírus. Novas informações serão repassadas de acordo com o tempo.

A fabricante reforça que o cenário do mercado atual de produção de motocicletas no Brasil seguia em evolução e crescimento anual e os esforços serão para que isso seja mantido para 2020, dadas as devidas proporções.

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Em todo 2019 a Yamaha produziu pouco mais de 153 mil motos, gerando uma média de 12,7 mil unidades ao mês. Considerando que a fábrica deva ficar parada “meio mês” útil, podemos dizer que deixarão de ser produzidas apenas cerca de 6.380 unidades (4,1%).

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BMW também anuncia paralisação de sua fábrica em Manaus

Assim como as duas maiores fabricantes de motos do país, a BMW Group Brasil informa que a produção de motocicletas em sua planta de Manaus (AM) será paralisada temporariamente a partir de 30 de março.

A medida faz parte de uma série de ações que a companhia tem aplicado para proteger seus colaboradores, com o avanço da COVID-19, como a redução de pessoas em unidades produtivas.

Cancelamento de viagens, medidas que proíbem aglomerações dentro da planta, áreas administrativas em home-office e intensa comunicação sobre higienização são outras ações da marca. O retorno das atividades está previsto para 23 de abril.

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Vai faltar moto BMW no Brasil?

Em seu comunicado a BMW Group Brasil informa que a diretoria segure reunida diariamente para tomar medidas necessárias, além de novas informações sobre a saúde e segurança de todos os colaboradores. A empresa espera recuperar os dias de produção ainda em 2020.

“Nosso foco agora é proteger nossos colaboradores, manter todos em segurança e com saúde, e nos preparar para o que virá, com a retomada das atividades e do mercado”, afirma Jefferson Dias, Diretor da Fábrica de produção de motocicletas do BMW Group em Manaus.

Questionamos a BMW Motorrad do Brasil sobre a paralisação da produção de motos da marca e seu impacto. As respostas, na íntegra, são de Julian Mallea, Diretor da BMW Motorrad Brasil:

MR: Se for mantida somente essa paralisação na fábrica, sem a necessidade de estender por mais dias, isso afetará o volume de produção anual?

BMW: Com as informações conhecidas hoje, 25 de março de 2020, já temos um plano de retomada para apoiar as vendas planejadas da BMW Motorrad no Brasil em 2020. A compensação será feita ao longo do ano. Este plano possui algumas alternativas.

MR: A BMW Motorrad prevê algum atraso na entrega de motos para os clientes que já compraram motocicletas e estão aguardando a entrega nas próximas semanas?

BMW: Toda a nossa logística opera com todas as normas de saúde e segurança para abastecer a rede BMW Motorrad em produtos e peças. É recomendado que o cliente esteja em contato remoto com seu concessionário para solicitar entrega individual e personalizada do produto ou mesmo para situações de pós-vendas. As regras de abertura dos concessionários podem variar de uma cidade para outra durante a crise do COVID-19, mas quero reforçar que estamos prontos para atender e todos nossos canais de comunicação da marca e da rede estão abertos para apoiar qualquer necessidade.

Como critério de informação, a BMW produziu pouco mais de 9.600 motos em todo 2019 com uma média de 807 unidades por mês.

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Paralisação da produção não é só no Brasil

A Ducati, famosa fabricante italiana, está onde hoje pode ser considerado um dos países da Europa mais afetados pela pandemia. Sua fábrica que fica em Borgo Panigale, na Bolonha (ITA), está suspensa desde 13 de março por tempo indeterminado.

Inclusive, levando em consideração os cuidados com a prevenção e isolamento por conta do Covid-19 a Ducati fez o lançamento da sua supernaked Streetfighter V4 através de uma apresentação virtual transmitida ao vivo.

O quanto os efeitos dessa nova pandemia irão afetar o mercado nacional e internacional de motos ainda não sabemos, mas a conclusão que fica é que primeiro precisamos nos prevenir para depois ter forças para se recuperar.

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