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Nova Himalayan vai desbancar XRE 300?


13 jun 2019 3 Comentários

Com motor de 411cc, estilo único estradeiro e preço compatível com modelos menores, a nova Royal Enfield Himalayan vai desbancar as concorrentes?

Se depender da estratégia da fabricante indiana para o Brasil, a trail de média/baixa cilindrada tem tudo para ganhar seu espaço, seja na fatia do mercado ou no coração do fãs e clientes da marca.

Ao todo, só em 2019, a Royal pretende abrir 10 concessionárias pelo país e já está caminhando para isso, abrindo duas lojas nesse primeiro semestre, uma em Brasília aberta em março e outra que acabou de inaugurar em Curitiba, no Paraná.

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Nova Himalayan vai desbancar a XRE 300?

Com especificações semelhantes, motores com diferença de cilindradas que entregam potência equivalentes e preços bem próximos, Himalayan e XRE 300 podem protagonizar uma boa indecisão na cabeça dos clientes na hora da compra.

Andamos na nova Himalayan para tirarmos as primeiras impressões e o que foi sentido é que a trail da fabricante indiana é uma moto parruda. Ela se mostrou resistente, com uma posição de pilotagem confortável e jeitão de quem encara longas viagens sem muitos problemas.

Havia o receio de que seu peso (quase 40kg a mais que a XRE 300) fosse um problema, porém, ao sentar na moto, dar a partida e acelerar essa diferença quase some. Tudo por conta de sua ergonomia e do torque superior.

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Com seu design bem diferenciado, a Royal Enfield Himalayan segue as linhas da cultura de motopurismo que a fabricante tenta trazer para o mercado brasileiro de motos mais acessíveis.

De fato seu visual é fora do comum e causa estranheza ao primeiro olhar, mas apenas quando se via o modelo pelas fotos. Ao chegar perto da Himalayan, ao sentar nela e ao sentir seu motor ligado o jogo muda.

Aquela sensação de moto fora do padrão brasileiro vai embora e em poucos minutos já estamos totalmente familiarizados com esse estilo quadradão, com a bolha e o farol redondo e com o quadro e as soldas à mostra.

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Royal Enfield Himalayan Motor

A nova Himalayan é equipada com um motor monocilíndrico, SOHC, de 411 cilindradas e refrigeração a ar que é capaz de gerar a potência máxima de 24,5 cavalos e tem torque de 3,2 kgf.m.

Em comparação com a XRE 300 (25,4 cv e 2,7 kgf.m) são quase 1 cavalo a menos de potência e meio quilo de torque a mais. Ela perde na potência mas ganha no torque. A questão é que ela também é mais pesada, o que no final se traduz em praticamente um empate.

Acelerando as duas o que se percebe é que a XRE parece ser mais espertinha, mais ágil, enquanto que a Himalayan demora um pouquinho mais para crescer.

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Algo que chama muito atenção na Himalayan é o seu painel de instrumentos. No lado esquerdo, a parte maior, ele possui um velocímetro analógico que marca até 160 km/h (ou 100 mph nas linhas menores) além de um pequeno display de cristal líquido.

Nesse mostrador digital, que fica abaixo do velocímetro, estão informações como hodômetros parciais, relógio, temperatura ambiente e um grande diferencial em relação as suas concorrentes, o indicador de marchas.

Já do lado direito do painel, na parte superior, temos o conta-giros também analógico e na parte inferior, ao lado do marcador de combustível, temos algo que merece destaque: uma bússola digital. Isso confirma que o modelo é uma moto para grandes aventuras.

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Suspensões da Royal Enfield Himalayan

Falando em viagens, as suspensões da Royal Enfield Himalayan se mostraram interessantes para o asfalto mas não são tão “suaves” quanto as equipadas na XRE 300, por exemplo. A principal diferença está no curso.

Ambas possuem suspensão dianteira com garfo telescópico e suspensão traseira do tipo monoamortecida com link. Porém, na Himalayan o curso é de 200 mm na frente e 180 mm atrás. Já na XRE 300 esses números vão a 245 mm e 225 mm respectivamente.

O resultado é uma moto mais firme durante a pilotagem com a Himalayan e uma moto mais ágil e confortável andando na XRE. Um ponto que pode auxiliar a moto da Royal Enfield é seu banco, com uma boa camada de espuma e muito aderente.

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Nos freios, comparando os números da parte técnica a Himalayan é superior. Freio dianteiro com disco da Brembo de 300 mm e traseiro de 240 mm ByBre. Já na XRE são discos de 256 e 220 mm respectivamente.

Porém, isso não se traduz em superioridade para a Himalayan. Muito pelo contrário. Durante nosso pequeno percurso de testes foi sentido que esse freio é meio “borrachudo”, demora um pouco para agarrar o disco, principalmente em baixas velocidades.

Na verdade esse foi um dos pontos que mais chamou a atenção negativamente para trail da fabricante indiana. Apesar da ByBre ser a divisão indiana da renomada Brembo, sua tecnologia parece não ter casado tão bem com o modelo que testamos.

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Royal Enfield Himalayan e XRE 300 comparativo de consumo

A Royal Enfield informa que com um tanque de combustível a Himalayan roda 450 km. Fazendo a conversão, onde o tanque tem capacidade para 15 litros de combustível, nós chegamos ao consumo médio de 30 km/l.

Essa é um média considerável para uma monocilíndrica de 400 cilindradas, porém, acreditamos que a condição para alcançar tal número deve ser muito específica. No uso diário de pilotos que andarão tanto na cidade quanto na estrada essa média deve cair para cerca de 25 km/l.

Basicamente, entre a XRE 300 e a Himalayan o consumo deve ser praticamente o mesmo. Vai depender muito do estilo de pilotagem e das condições em que cada moto for colocada. Por exemplo, em condições específicas nós já chegamos a fazer média de 31 km/l com a XRE.

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Royal Enfield Himalayan Preço

A Royal Enfield Himalayan tem seu preço sugerido de R$ 18.990,00 + frete, mas a grande diferença é que esse já é o preço final nas concessionárias. Não existe aquela diferença enorme do preço sugerido para o preço praticado nas lojas, pelo menos por enquanto.

Essa é uma estratégia de mercado pois a marca trabalha de uma forma diferente e tem pouquíssimas lojas no país (são apenas 3 e deverão abrir mais 7 ainda esse ano). É jeito de facilitar a venda de motos que ainda não possuem a confiança do mercado.

Já a XRE 300, líder do segmento trail no Brasil que é vendida em mais de 1.300 lojas da Honda, tem seu preço sugerido de R$ 18.971,00. Porém, o preço praticado varia muito de loja para loja, onde somente em alguns casos é possível encontra-la por esse valor.

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A resposta final é que a XRE 300 ainda é a líder do segmento, sendo perseguida pela nova Lander 250 mais de perto, e que qualquer outro modelo além desses dois (que já venderam 9.215 e 7.188 unidades respectivamente de janeiro a maio desse ano) vai precisar correr muito para ter seu espaço.

A Himalayan tem seus diferencias, seu estilo único, a pegada do motopurismo proposta pela Royal Enfield mas ainda é uma moto muito nova no mercado, sendo comercializada por uma marca que tem tudo para dar certo, porém, que precisará abrir mais lojas pelo país.

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3 Comentários para "Nova Himalayan vai desbancar XRE 300?"

  1. Beleza, e bem relativo falar sobre isso.

    Só de o motor ser preto ou grafite, já achei um ganho.

    O que não se dá na XRE 300. Esses motores pintado de prata, desbotam, deixando bem horrível o visual da moto.

  2. Apesar de serem concorrentes diretas, entre as duas não teria nenhuma dúvida em ficar com a XRE. Pois, a outra é horrorosa e perde em praticamente tudo para a Honda. Concluindo, acho que eles deveriam levar este “aborto” de volta para Índia e refaz-lá atualizando-a para os dias de hoje. Parece que é uma moto projetada e construída para o início do século 20.

  3. Ei queria muito comprar esse treco! mas suburbano carioca, onde vou consertar isso!!!??? Vou ter moto pra quando chegar na hr da revisão ter que aligar reboque pra levar em algum ligar da ipanema ou leblon pra mexer. Pobre tem que ter o que é mais fácil mesmo. que pena.

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