Kawasaki Ninja 2004 afunda em Darién no Caribe, Viajante de moto já tinha rodado 200 mil km
Kawasaki Ninja do espanhol Toni Moles permaneceu dois dias submersa a 36 metros de profundidade no fundo do Caribe
A motocicleta Kawasaki Ninja do espanhol Toni Moles permaneceu dois dias submersa a 36 metros de profundidade.
Veja história que reúne paixão pelo motociclismo, viagens pelo mundo, naufrágio, resgate e superação.
Kawasaki Ninja 2004 cai no fundo do Caribe!
O motociclista Toni Moles Salvador, de 30 anos, já percorreu 94 países e aproximadamente 200 mil quilômetros com sua Kawasaki Ninja ZX-6R 636 2004. Nascido em Benicarló, na Espanha, ele chama sua moto carinhosamente de “Débora”, com a qual explora diferentes culturas e paisagens ao redor do mundo.

Porém, sua história sofreu um revés no dia 15 de janeiro, ainda no ano de 2025, durante uma travessia da Colômbia em direção ao Panamá. Toni, conhecido nas redes como @toninja_636, decidiu não transportar a motocicleta por avião porque acreditava que parte da experiência da viagem seria perdida.
Desta forma, a alternativa encontrada foi uma embarcação que fazia o trajeto pelas ilhas do Darién e do Caribe.

Entretanto, segundo o viajante, as condições do barco de transporte não eram as melhores e o mar estava agitado da região. Enfim, fortes ondas atingiram a embarcação, que acabou naufragando no Tapón del Darién junto com a Kawasaki Ninja – em uma das regiões mais remotas e desafiadoras do mundo.
Toni sempre planejou guardar Débora em sua casa depois de completar a volta ao mundo. Cada marca e cada adesivo presente na motocicleta representa uma viagem, um país ou uma experiência vivida.
Segundo ele, “foi um momento muito duro pensar que, depois de tantos milhares de quilômetros e tantas aventuras, poderia perdê-la no fundo do mar”.

Como a Kawasaki Ninja 2004 foi resgatada do mar?
Com o apoio de sua companheira, Louisiane, Toni iniciou a procura por mergulhadores experientes em Capurganá.
A operação ainda enfrentaria a falta de coordenadas precisas e a necessidade de negociações locais para que a equipe pudesse acessar a embarcação.
Porém, após dois dias submersa a aproximadamente 36 metros de profundidade, a Kawasaki Ninja foi localizada e retirada do fundo do Mar do Caribe. O resgate, entretanto, representava apenas o começo de uma nova missão.

Kawasaki Ninja 2004 afunda em Darién precisa de restauração
A permanência da Kawasaki Ninja 2004 em água salgada provocou danos severos! Praticamente toda a motocicleta precisou ser revisada, reparada ou substituída. Entre os componentes originais preservados estão o chassi, a carenagem, as rodas e a balança traseira.

O hodômetro também foi danificado. Por esse motivo, Toni estima que a Kawasaki tenha percorrido aproximadamente 200 mil quilômetros, mas não consegue confirmar a quilometragem exata.
Neste momento, a moto chamada “Débora” já está novamente na Espanha e passa por um cuidadoso processo de restauração. O motor ainda não voltou a funcionar! Mas a expectativa de Toni é colocar a Ninja de volta na estrada em outubro de 2026.
Por que a Kawasaki Ninja de Toni se chama Débora?
O nome Débora surgiu de “DeboraKilómetros”, identidade utilizada por Toni para compartilhar suas viagens e aventuras. Como todas as suas motocicletas receberam nomes, a Ninja 636 também ganhou uma identidade própria.

Sua primeira moto foi uma Yamaha YZF-R125, que ele ainda conserva e com a qual percorreu mais de 15 países europeus.
Foi ainda aos 19 anos, depois de conquistar a habilitação necessária para pilotar motocicletas de maior cilindrada, que Toni realizou outro sonho de infância: comprar uma Kawasaki Ninja ZX-6R 636.
Segundo ele, à medida que os quilômetros aumentaram, Débora deixou de representar apenas uma motocicleta.
“Quanto mais viajava, mais queria conhecer e mais longe queria chegar. Assim, quase sem perceber, nasceu o projeto de percorrer o mundo com Débora.”, diz o motociclista.

A motocicleta esportiva não é a escolha mais convencional para enfrentar longas expedições e diferentes tipos de terreno. Mas Toni acredita que cada pessoa deve viajar com a moto que deseja ou com aquela que tem disponível.
“Não é obrigatório viajar com uma trail simplesmente porque é o que todo mundo faz. Eu viajo com uma moto pela qual sou apaixonado. Mesmo quando o caminho é difícil, desço, olho para trás e continuo encantado por ela”, explica.

Para onde Toni ainda quer rodar com a Kawasaki Ninja “Débora”?
Depois de concluída a restauração prevista, o próximo objetivo de Toni é retornar à África e percorrer os países localizados ao longo da costa atlântica do continente.
A nova etapa contará também com a participação de Louisiane, que passou a acompanhar Toni nas viagens e agora faz parte da história construída ao lado de Débora.

Posteriormente, existe a possibilidade de a motocicleta ser enviada novamente para a Ásia, embora esse roteiro ainda não esteja definido.
Enquanto aguarda o reencontro com as estradas, Toni deixa uma mensagem aos motociclistas, viajantes e aventureiros brasileiros:
“Vão atrás dos seus sonhos. Não importa qual motocicleta você tenha, quais recursos estejam disponíveis ou qual seja a sua situação. Quando você realmente deseja alguma coisa, sobe na moto, dá a partida e começa a viagem. A partir daí, tudo começa a fluir.”
